sexta-feira, 7 de setembro de 2012



Caros Colegas e Amigos,



A Cambridge Scholars Publishing acaba de publicar mais um livro do CEI - Centro de Estudos Interculturais: In Permanent Transit: Discourses and Maps of the Intercultural Experience



O livro está já disponível no site da editora (http://www.c-s-p.org/ <http://www.c-s-p.org/> ), na Amazon.UK e na Barnes&Noble, entre outros.



Boas leituras!

Clara Sarmento & co-editoras


Centro de Estudos Interculturais (CEI)
Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto (ISCAP) - Gabinete 333
Rua Jaime Lopes Amorim
4465-004 S. Mamede Infesta
PORTUGAL
Telf. + 351 229 050 037 (ext. 333)
E-mail: cei@iscap.ipp.pt <http://webmail.iol.pt/horde/dimp/
URL: www.iscap.ipp.pt/~cei <http://www.iscap.ipp.pt/~cei

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Estamos no facebook em:

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TAE de 2012



Bom dia!
Vamos tentar publicar on line a revista "Trabalhos de Antropologia e Etnologia" (vol. 52) pois não temos dinheiro para a edição em papel.
Seriam bem-vindos textos apresentados ao colóquio Agamben (Porto, Centro Unesco, 8 e 9 de Março de 2012).
Mas também recebemos artigos INÉDITOS de antropologia, arqueologia, sociologia, psicologia/psicanálise, filosofia, enfim, de toda a área convencionalmente designada por "ciências sociais e humanas" e afins.
Cada artigo deve ser antecedido por favor de um curto resumo e 3 palavras-chave em português e inglês.
Obrigado.
Cordiais saudações
Vítor O. Jorge
Às pessoas interessadas em participar enviarei o meu e-mail por mensagem.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Escavações arqueológicas

Começam hoje as escavações do sítio pré-histórico de Castanheiro do Vento (Vila Nova de Foz Côa), iniciadas em 1998 e nunca desde então interrompidas. Trata-se pois da 15a campanha. Contra ventos e marés, em grande dificuldade por vezes, com algum sacrifício pessoal, prosseguimos este projecto colectivo de pesquisa no meio da maior confusão no seio da organização da arqueologia portuguesa, e em certo baixar de braços de tantas pessoas, com a consciência de que é nosso dever cívico e político, os que ainda podemos fazê-lo, não apenas "amandar bocas", exarar protestos no conforto das nossas casas ou no ambiente mais ou menos festivo das ruas, mas praticar acções concretas de subjectivação e de pesquisa contra a des-subjectivação e a bandalheira de um mundo sem norte, sem valores, sem afectividades autênticas, profundas e duradouras, construídas na partilha do trabalho criador. De um mundo desumano, sem profundidade nem reflexão. De um mundo que não apela ao esforço construtivo, mas ao consumo fácil de banalidades. Contra isso lutei uma vida. E certamente muitos como eu. A arqueologia é um trabalho de equipa, não de "personalidades". Continuaremos a lutar enquanto pudermos.


Ver imagens das escavações de 2011 em: 
http://www.facebook.com/media/set/?set=oa.10151203379836215&type=1

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Conferência





CONFERÊNCIA


Promovida pela SPAE (Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia)
No Centro Unesco do Porto
(R. José Falcão, 100 – perto da Livraria Leitura e nas imediações da Praça Carlos Alberto)
com a colaboração da Fundação Engenheiro António de Almeida (Porto)
Dia 2 de Junho de 2012, sábado, às 15 horas
Oradores:
Prof.a Doutora Glória Teixeira e Dr. Sérgio Silva
Faculdade de Direito da Universidade do Porto
Tema:
“A Lei do Património Cultural e desenvolvimentos recentes no âmbito do Direito do Património Cultural'.
= Entrada livre =

Conferência em Coimbra, por Vítor Oliveira Jorge (resumo)

Coimbra, 5 de Junho de 2012 – conferência (resumo)

A arqueologia do ponto de vista do pensamento crítico contemporâneo: alguns tópicos

por

Vítor Oliveira Jorge

Professor catedrático aposentado da Faculdade de Letras da Universidade do Porto; investigador do CEAUCP

Creio que a publicação, em 2004 (Londres, Routledge), do livro “Archaeology and Modernity”, pelo meu colega Julian Thomas, da Universidade de Manchester, marca uma importante ruptura com as reflexões anteriores, mesmo dos autores ditos “pós-processuais”, percebendo que a renovação da arqueologia e da teorização da sua prática tem de se compreender “de fora” da disciplina. A arqueologia é um produto da modernidade, e esta tem sido analisada e pensada por numerosos autores que não podemos ignorar, e que continuam a aparecer constantemente. Muitos desses autores não se apresentam propriamente como “filósofos, ou teóricos desta ou daquela área do saber, mas questionaram a própria maneira como a produção do saber costumava ser questionada/teorizada. Ou seja, pensar a arqueologia hoje é uma tarefa muitíssimo mais exigente do que há algumas décadas. Implica uma postura de inter e transdisciplinaridade radical, muito difícil de conseguir, porque obviamente se tem de partir dos problemas da arqueologia e, ao mesmo tempo, conseguir vê-los a partir de fora, como se não fôssemos arqueólogos. Exercício quase acrobático, porque o discurso arrasta-nos sempre para o senso comum vigente. É isso que se pode considerar uma postura crítica, absolutamente básica para se conectar a arqueologia com o conhecimento contemporâneo e para lhe permitir o diálogo com as grandes questões políticas, filosóficas, científicas que se nos colocam na era pós-moderna do capitalismo financeiro neoliberal.

Falta talvez fazer qualquer coisa como um livro chamado por exemplo “Arqueologia e Pós-Modernidade”, prolongando a obra de J. Thomas, e entendendo por pós-modernidade uma palavra convencional que designa o facto de, não se tendo cumprido muitos ideais da modernidade, estarmos numa época em que o ideário do mercado, do empreendedorismo, das sociedades de controlo extremamente subtil e invasor corta com esse próprio ideário da “primeira modernidade”. Sem conhecer (o que não significa subscrever, é óbvio) as reflexões de pensadores como, por exemplo, Jacques Derrida, Giorgio Agamben, ou Slavoj Zizek, entre imensos outros, é minha convicção de que não só não percebemos o mundo em que nos encontramos, como não entendemos por que razão a universidade continua a legitimar (e a legitimar-se) numa visão da história que é anacrónica, enganadora, diria mesmo perigosamente conservadora, e que, reflectida em arqueologia (ainda muito enfeudada à prática histórica) leva a uma situação de impasse entre as indústrias do património (que vendem às massas um passado domesticado), os trabalhos de pesquisa por projectos curtos (tipo mestrados/doutoramentos de Bolonha, etc) que em geral produzem mais do mesmo à pressa, ou o trabalho empresarial na sua maioria preso à mesma lógica de “curto-prazismo” própria do sistema em que estamos mergulhados. Mas a história não parou, nem muitos de nós, seres humanos, se recusaram a pensar para fora das fronteiras deste horizonte imperial que se pretende apresentar como natural, indesmentível, inequívoco, quiçá eterno. Sem cair na pressa das soluções rápidas, que se situam na mesma lógica e portanto se sujeitam à carnavalização do adversário, há que ousar pensar uma nova arqueologia para uma nova forma de comunidade que, por vias travessas talvez, é uma comunidade que há-de vir.

O pensamento crítico contemporâneo coloca os problemas radicais que são os que podem motivar uma arqueologia adulta, liberta da tutela da história narrativa, sequencial, teleológica, legitimadora de uma concepção do tempo banal e retrógrada, como já Walter Benjamin apontou.