



SUMÁRIO
Preâmbulo
Jacques Derrida – O gosto do segredo. Hospitalidade, Justiça e Democracia, por Fernanda Bernardo
O ethos na subjetividade narrativa fios e linhas, por Stella Z. B. C. de Azevedo
Estado de Excepção e Valor de Exposição para uma possível descrição do funcionamento de dispositivos estéticos, por Luís Carneiro
Aperfeiçoar a “raça”, salvar a nação: eugenia, teorias nacionalistas e situação colonial em Portugal, por Patrícia Ferraz de Matos
Mutações genéticas humanas e fluxos populacionais – Portugal e o Mediterrâneo, por Leonor Osório-Almeida
The Dream House of Atreus: Finding Ancient Mycecenae at the Philip Johnson Glass House, por Adele Tutter
Os artefactos e outras cristalizações, por Sérgio Alexandre Gomes
A estratégia primitivista, por Diniz Cayolla Ribeiro
S. Bento do Cando: Uma festa serrana do concelho de Arcos de Valdevez, por José Pinto & Sandra Vieira
Paisagens etno-arqueológicas e culturas regionais – do Endovélico a Mérida e aos Almendres, por Ana Paula Fitas
A pobreza das nossas vivências ou como matamos a experiência, por Claudio Cesar Montoto
PREÂMBULO
Em pleno auge da crise económica internacional e nacional que nos afecta a todos, e que, por ser estrutural (é obviamente uma crise sistémica mundial), há muito existe e se prevê que continue ou mesmo se intensifique (fazendo perigar tudo quanto é mais frágil, nomeadamente o tecido das pequenas associações que vivem dos seus sócios e de simbólicos apoios) aqui estamos, algo miraculosamente, com mais um número dos TAE. Graças fundamentalmente ao apoio da FCT, a quem muito nos cumpre agradecer. E fazendo um apelo VEEMENTE aos sócios para que cumpram atempadamente com o seu dever de pagarem as quotas, e angariem mais pessoas de interesse para nos apoiarem e connosco colaborarem.
Um volume que me permito considerar excelente, e que, como director da revista, muito me apraz ver sair do prelo. O/A leitor/a dirá de sua justiça, mas estou certo de que concordará comigo.
Também em 2010 tivemos alguns avanços, embora pequenos, mas significativos, na nossa actividade.
Criámos o blogue:
http://sociedadeportuguesaantropologia.blogspot.com/
A todos os sócios ou outros interessados em publicar aqui notícias, trabalhos, comentários, muito agradeço que no-los enviem, para dinamizarmos o blogue.
Por seu turno, a Reitoria da Universidade do Porto, uma universidade com um dinamismo e qualidade que não deixam dúvidas, cedeu-nos finalmente um espaço de 3 salas (sito nas traseiras da Faculdade de Direito da UP) para guardamos e arrumarmos uma parte das nossas publicações e outro espólio. Uma palavra de apreço especial para o Senhor Vice-Reitor Prof. Doutor António Cardoso, como responsável nessa particular decisão, e também para o nosso consócio Dr. António Manuel Silva, que coordenou a “operação” por parte da SPAE. Concretizou-se assim uma antiga esperança, que eu pessoalmente nunca perdi. Apenas falta fixar por escrito as condições, ou seja, formalizar, (d)a cedência desse espaço.
Temos ainda uma nova sócia (Patrícia Ferraz Matos) que está a realizar um doutoramento sobre a figura do Prof. Mendes Corrêa, e a qual, aqui, neste volume, publica um trabalho seu.
Realizámos a habitual Assembleia Geral anual em 19 de Junho de 2010, tendo-se seguido a conferência do meu “velho” amigo e colega, Prof. Tito Cardoso e Cunha (agora na Universidade da Beira Interior) sobre: “Claude Lévi-Strauss: da compreensão do mito à análise do parentesco”. Esta conferência, homenagem ao gigante da antropologia recentemente falecido, foi aberta a todos os interessados, e largamente difundida, nomeadamente entre os elementos da Universidade do Porto. Não posso deixar de agradecer a generosidade com que o palestrante se deslocou ao Porto, e também a cedência graciosa, mais uma vez, da sala do Centro Unesco do Porto, pela Fundação Eng.º António de Almeida, a quem muito devo, pelo seu apoio continuado ao longo de décadas às iniciativas a que me tenho ligado e as entidades em cujo quadro de efectivaram.
Apesar do futuro não ser para ninguém risonho, infelizmente, encará-lo-emos com a coragem habitual, procurando continuar o grande trabalho dos pioneiros da antropologia portuguesa, e, em particular, e pensando a médio prazo, tendo em mente que o ano de 2018, ano do centenário da SPAE, deve corresponder a alguma realização que, embora à nossa modesta escala, seja realmente útil à investigação e ao país. Espero estar vivo (então com 70 anos) para assistir a esse momento, e poder também dar o meu contributo.
Vítor Oliveira Jorge
Porto, Outubro de 2010
