terça-feira, 16 de novembro de 2010

nótula: por uma arqueologia da arqueologia

para uma arquelogia da arqueologia: algumas notas sobre uma reviravolta necessária nos pensamentos e nos procedimentos


Quando a arqueologia se constituíu nos finais do século XIX como formação discursiva, como “disciplina” científica, destacando-se da história da arte, por um lado, e da longa tradição de antiquarismo, por outro, isso foi um fenómeno ocidental e muito particularmente ligado ao estado-nação moderno (v. Thomas, Julian, “Archaeology and Modernity”, Londres, Routledge, 2004). Cada país procurou firmar as suas raízes na mais remota antiguidade e seus “testemunhos” mais ou menos míticos, quer greco-latinos, quer nacionais (estes sobretudo naqueles países que tinham ficado fora do âmbito territorial do império romano): mas o “movimento nobilitador e identitário” é o mesmo. Como outra face da moeda, as “ciências naturais” (geologia, biologia), o evolucionismo e a ideia de uma “história natural do homem”, aliadas à etnografia dos “selvagens” (ou “primitivos”, uma invenção ocidental que legitimou todos os colonialismos), impuseram a noção de uma pré-história comum a toda a humanidade. Aí a disputa foi menos pelos pergaminhos nacionais em termos de grandes feitos expressos em monumentos e obras patrimoniais, e mais em torno da “antiguidade” maior ou menor dos indícios do “progresso” (grau de hominização dos indícios fósseis, antiguidade da “arte rupestre”, pioneirismo em torno de “descobertas” técnicas e produtivas, etc., etc).

Neste quadro, bem conhecido, é interessante repensar o conceito de história, e em particular de pré-história, e, como sintoma, o próprio desinteresse que tem havido por parte da União Europeia em, ao contrário do que poderia ser de esperar, fazer da sua “pré-história comum” um elo de ligação entre povos, nações, estados. Porquê, por exemplo, esse estatuto de margem dos “pré-historiadores”, dos arqueólogos das “origens”?

O discurso, ou narrativa, da continuidade, com a teleologia implícita, e a con-fusão, inerente à história, entre antecedentes e causas (descrever é perceber, é explicar mas diferentemente das ciências do cálculo), ligados à procura das “origens”, da archè, em particular na nossa tradição greco-latina e judaico-cristã têm sido discutidos por numerosos autores.

A mim interessa-me tentar prolongar algumas questões suscitadas por Giorgio Agamben no seu texto “Arqueologia filosófica”, inserto no livro (cito a tradução francesa) “Signatura Rerum. Sur la Méthode” (Paris, Lib. Ph. J. Vrin, 2008, pp. 93-128, na linha de Nietzsche, Foucault, e outros, e convocando também o pensamento de Walter Benjamin (noção de “reactivação”) e de Jacques Lacan, e do que na sequência deles se tem pensado sobre a condição do ser humano. Sem esquecer Alain Badiou ou Slavoj Zizek.

A minha convicção é a de que lavramos num mito fundamental, e esse nosso mito ocidental (que, como outros produtos ideológicos, “vendemos” a todo o mundo) é o da história e do tempo “continuista”, cronológico, tal como o temos pensado, tanto do lado dos “reformistas” do estado social (hoje falido), defensores de uma “redenção” por passos, como dos “revolucionários” sonhadores de um “tratamento de choque” igualmente de cariz religioso, escatológico, mesmo que não assuma aspectos fundamentalistas e se procure integrar nos quadros parlamentares do chamado “estado de direito”.

A questão do evento, da sua imprevisibilidade, e das rupturas que se darão certamente numa civilização que parece já viver no apocalipse, no “fim do tempo”, como diz Zizek, eis o que me interessaria debater.

Tendo consciência de que estes considerandos são apenas um resumo de uma reflexão que julgo crucial e que tenho em curso (e que se expressou resumidamente na lição inaugural do ano lectivo que fiz a 13 de Outubro da FLUP intitulada “A Arqueologia e as suas Metáforas”).

Porto, 15 de Novembro de 2010

Vítor Oliveira Jorge

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Interesting link



http://www.nomadit.co.uk/index.htm


http://www.nomadit.co.uk/sief/sief2011/



I will present a paper to the Lisbon conference, 2011

here:


http://www.nomadit.co.uk/sief/sief2011/panels.php5?PanelID=797



My abstract:
An archaeology of the archaeological object(s)


This paper intends to examine the conditions that made possible the transformation of the world into an object of observation, including the creation of the discipline of archaeology in Westerm world's modernity.

Concerned with the deep and the occult, the material versus the immaterial, the presence versus the absence, the present versus the past, the object(s) of archaeology appear as (a) particularly meaningful symptom(s) of our society.

More precisely, the intention is to focus on some case studies to exemplify how archaeology is connected to an overwhelming ideology of management, in order to fill the gaps of traditional history, to integrate the territory into a rational order of meaning, transparency and planning, and to unearth and expose the "past" to people in order to improve the heritage/touristic industry.

It is important to discuss critically the "philosophy" and of course the political economy that underpins all this activity in order to understand he reasons for a growing movement towards the "past" in our everyday life - the transformation of the world into a museum and a commodity. Archaeology and its increased attraction to people is, paradoxically, an appeal for a timeless history.







domingo, 7 de novembro de 2010

Interessante link













Recensão crítica/apresentação de um livro (2005)






TAE, vol. 46, 2006, pp. 223-226

Creio que o antropólogo e poeta Luis Quintais escreveu aqui uma nótula muito acutilante sobre o meu trabalho.

Clique nas imagens para ampliar - a qualidade delas não é a melhor... é uma digitação directa do texto publicado...


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

TAE 50 - 2010 - Sumário

SUMÁRIO

Preâmbulo

Jacques Derrida – O gosto do segredo. Hospitalidade, Justiça e Democracia, por Fernanda Bernardo

O ethos na subjetividade narrativa fios e linhas, por Stella Z. B. C. de Azevedo

Estado de Excepção e Valor de Exposição para uma possível descrição do funcionamento de dispositivos estéticos, por Luís Carneiro

Aperfeiçoar a “raça”, salvar a nação: eugenia, teorias nacionalistas e situação colonial em Portugal, por Patrícia Ferraz de Matos

Mutações genéticas humanas e fluxos populacionais – Portugal e o Mediterrâneo, por Leonor Osório-Almeida

The Dream House of Atreus: Finding Ancient Mycecenae at the Philip Johnson Glass House, por Adele Tutter

Os artefactos e outras cristalizações, por Sérgio Alexandre Gomes

A estratégia primitivista, por Diniz Cayolla Ribeiro

S. Bento do Cando: Uma festa serrana do concelho de Arcos de Valdevez, por José Pinto & Sandra Vieira

Paisagens etno-arqueológicas e culturas regionais – do Endovélico a Mérida e aos Almendres, por Ana Paula Fitas

A pobreza das nossas vivências ou como matamos a experiência, por Claudio Cesar Montoto

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Instalações da SPAE (arrumo) - cedido pela Reitoria da UP
















Algumas imagens... de António M. Silva, elemento da direcção.